terça-feira, 13 de março de 2012

Vergonha e Desabafo





                Sinto vergonha!
         Quando percebo as virtudes cristãs e as bases que solidificam a nossa fé, serem trocadas por evasivas filosóficas que condicionam a Verdade ao relativismo agonizante da medida do homem, e o Deus soberano sendo transformado em um ser apequenado, surpreso e cheios de sonhos infantis.
            Sinto vergonha!
            De ver a teologia ser tratada como uma abominação do conhecimento a ponto de muitos ditos "cristãos" aconselharem a fugir dela para não ter a sua “fé” esfriada; ou, sendo tratada como um mero conjunto de doutrinas do saber empírico, gerando teólogos que disputam preciosismos doutrinários em detrimento do povo cristão que anseia por unidade e paz. E assim, o púlpito foi transformado em um moderno areópago para demonstrações de oratória e homilética, em vez de lugar para a manifestação do poder de Deus pela sua Palavra por meio do Espírito.
            Sinto vergonha!
         Por acompanhar as disputas televisivas de muitos pastores midiáticos e seus ministérios gigantescos despejando promessas que Deus não fez. Brigando por coisas que não pertencem ao Reino, manipulando o telespectador para as vultosas doações numa verdadeira barganha celestial. Sinto vergonha por terem feito da oportunidade de comunicar o evangelho em uma corrida por audiência com direito a demonstração de quem mais expulsa demônios, de quem mais cura, de quem mais realiza feitos miraculosos, etc.
            Sinto vergonha!
            Quando a Bíblia é cada vez mais usada de acordo com o “achômetro” de cada um, ou como um livro mágico, enquanto fazem das experiências, que são bem pessoais, serem transformadas em doutrinas e normas, criando com isso, cadeias idolátricas em torno dos “vasos” que operam “moveres” que glorificam o homem e não mais a Deus.
            Sinto vergonha!
           De ver o misticismo, o bruxismo e o paganismo adentrar na Igreja Evangélica Brasileira e cada vez mais a ética, o exemplo e o viver a Palavra com dignidade se tornar um ideal utópico em vez de normalidade cristã.
            Sinto vergonha!
            Quando calvinista e arminianos se escalpelam em guerras que levam ao desgaste fraterno e o desamor crescente entre os irmãos.
            Sinto vergonha!
            Que o outrora povo protestante, não mais proteste, não mais examine, não mais discerna; que expressa uma espiritualidade fantasmagórica e caminhe por caminhos que não são os nossos; caminhos que não podemos e que não devemos ir.


              Sinto vergonha!
            Que este povo, que dantes recebera a alcunha de “os bíblicos” não mais leia, estude, nem perscrute como Bereanos a Palavra que lhes foi dada, e passou  a confiar plenamente nos pregadores estranhos e suas “revelações esdrúxulas”, tendo-as como verdade absoluta sem ao menos um exame acurado nas Escrituras.


          Sinto vergonha!
Que a Escola Bíblica Dominical, os Cultos de Doutrina e Orações sejam flagrantemente negligenciados e trocados por qualquer entretenimento fácil e alienante.
            Sinto vergonha dos cultos centrados no homem e em busca de bens de consumo numa ânsia neoliberal desenfreada e sem precedentes na história eclesiástica, enquanto remissão de pecados e o retorno de Cristo quase não mais constarem nas pautas dos sermões  dominicais.
            Sinto vergonha de mim, por minha inércia, impotência e vontade de desistir, pelo riso ante as cenas dantescas que se tornaram tão comuns hoje em dia e que deve nos levar a o choro, jejum e oração.
            Mas não te renego, nem te desprezo e não desisto de ti, simplesmente por te amar Igreja Evangélica Brasileira.

Em Cristo, que se entregou pela Igreja.
P.S: Tomei por empréstimo o mote da grande poetisa Cleide Canton e sua indignação pelo cenário de corrupção nacional: “Sinto Vergonha de Mim”.

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